Acabo de chegar a casa depois da última oração quotidiana que a comunidade de Taizé realizou na Igreja de S. Nicolau, na Baixa. No final da oração, muitas lágrimas, “All the best for you”, “write me!”… Numa nostalgia única, difícil de transcrever. Sinto-me feliz; aquele ambiente "calmo e muito acolhedor" fascina-me. As músicas permanecem no ouvido e todas as emoções de três meses continuam à flor da pele. Mas por outro lado, sinto-me triste por ter acabado..
Nunca imaginei que esta experiência se torna-se de algo tão importante para mim e para todos os que tiveram oportunidade de participar.
Para ser honesto, não me lembro como toda esta aventura começou.
Lembro-me de estar a navegar na Internet e ler em qualquer lado, “cerca de 50.000 cristãos jovens de toda a Europa em Lisboa num encontro para aprofundar as fonte das fé”. Na altura pensei: “é pena não sabermos de nada por aqui. Será que também podemos participar?”
Não sei como recebi a notícia que os jovens seriam acolhidos em famílias e que… também vinham para a Amora! Lembro-me, de pensar (um pouco devido ao bom jeito português) “esta altura do encontro irá ser péssima para as famílias..; irá ser complicado convencê-las a acolher quem quer que seja na altura do Natal! e ainda por cima estrangeiros! ”. Ainda bem que estava enganado!
O primeiro contacto directo que tive «com tudo isto» foi em Corroios, numa reunião de preparação para todas as paróquias da Diocese de Setúbal. Entrámos timidamente (eu e o Ricardo Meireles) e confesso que ao início estranhei aquilo que hoje considero uma oração excelente.. Depois fiquei encantado com o DVD de apresentação da comunidade e do encontro em si (mal eu suspeitava que o ia ter que ver dezenas de vezes!). Tudo aquilo era novo e emocionante para mim. Nunca tinha ouvido falar de Taizé, ou se tinha, sempre me tinha «passado ao lado».
Um certo dia estava na faculdade a estudar e toca o telefone.. "My name's Magdalena..."
Durante três meses, tudo passou muito rápido. Dezenas de papeis indispensáveis para ler, para arquivar.. telefonemas a fazer, pessoas a contactar! Pensar nas famílias! Estariam elas receptivas? Como organizar algo «assim» por aqui?
Se há coisas de Taizé que me cativaram, a primeira delas foi a simplicidade. Simplicidade em tudo. Nas orações, na coordenação, na logística necessária para proporcionar a 40.000 pessoas um bom encontro. No final de tudo, fica a ideia: para quê ser complicado? Para quê orações «de quilómetros» onde pura e simplesmente as pessoas põem «o automático» e não estão sequer a pensar no que estão a dizer? Para quê canções com dezenas de estrofes irregulares onde só «os mais aptos» são capazes de cantar? No final de tudo, fica a ideia da oração simples, baseadas em músicas perfeitas e no silêncio que chama a paz interior e privilegia o contacto com Deus.
Uma outra característica importante de Taizé foi a universalidade. Jovens de toda a Europa e de todo o Mundo juntos pela mesma causa. Para quê divisões? Afinal a religião não é apenas o «meio para chegar a Deus»? Era fantástico ver esta universalidade nas orações (na paróquia e na FIL). Durante aqueles horas, não havia portugueses nem espanhóis, não havia católicos nem protestantes, liberais ou conservadores. Havia consenso, união, harmonia, paz de espírito, introspecção, oração. Havia algo de mágico. Renascia em todos a esperança num futuro de paz.
